Como Trazer Figures do Japão para o Brasil: Guia Completo 2026
Você foi ao Japão. Deu de cara com o Mandarake em Nakano Broadway, com a AmiAmi em Akihabara, com o Pokémon Center em Shibuya. Resultado: voltou com 5, 10, 20 figures. Agora vem a pergunta que ninguém responde direito: como trazer tudo isso para o Brasil sem perder dinheiro com taxas, sem ter as caixas amassadas, e sem ter problema na alfândega?
Este guia responde exatamente isso. Eu já trouxe dezenas de figures do Japão, conheço as regras da Receita Federal e os erros mais comuns. Vou te mostrar tudo: a cota de isenção, como embalar, o que declarar, o que fazer se passar do limite, e os macetes que ninguém conta.
A regra básica: a cota de US$ 1.000

A Receita Federal permite que viajantes brasileiros tragam até US$ 1.000 em compras (por via aérea) sem pagar imposto. Esse é o seu limite mágico.
Algumas regras importantes:
A cota é individual e intransferível. Casais não podem somar US$ 2.000 num único produto. Cada pessoa tem seu próprio limite.
A cota não inclui itens de uso pessoal. Roupas que você usou na viagem, celular antigo no bolso, câmera fotográfica em uso nada disso conta. Mas figures novas, na caixa, contam integralmente.
Você tem direito adicional de US$ 1.000 no Duty Free de desembarque (lojas francas no aeroporto brasileiro). Mas Duty Free não vende figures só perfumes, bebidas, eletrônicos genéricos. Para o nosso caso, não conta.
Se você passar dos US$ 1.000, paga imposto de 50% sobre o valor que excedeu.
Exemplo prático:
- Trouxe US$ 1.500 em figures (já com a cota usada)
- Excesso: US$ 500
- Imposto: 50% × US$ 500 = US$ 250
- Total a pagar: US$ 250 (~R$ 1.250)
Como calcular o valor das figures
Uma das coisas que confunde os colecionadores é: como a Receita Federal sabe quanto custa cada figure?
Eles usam o valor da nota fiscal. Por isso, GUARDE TODAS AS NOTAS das compras no Japão. Inclusive as do Mandarake (que vendem usadas e a preços mais baixos).
Se você não tem nota, a Receita pode usar:
- O preço sugerido do fabricante (Good Smile Company, Bandai, etc.)
- O preço de mercado pesquisado em sites internacionais
- Uma estimativa do agente fiscal
E aqui vai o segredo que muita gente não sabe: figures usadas valem menos que novas. Se você comprou no Mandarake (mercado de usados), o valor é geralmente 30-50% menor que o preço de lançamento. Tenha as notas para provar.
Dica do Buscador de Figures: se quiser saber o valor de mercado real de uma figure (para preencher a declaração corretamente), use nosso Buscador de Figures com IA. Você envia a foto e descobre o preço médio em diferentes lojas.
Como embalar figures para a viagem

Esse é o erro número 1 dos viajantes: subestimar o cuidado com a embalagem. Caixas de figures são frágeis e o transporte aéreo é brutal.
O que eu recomendo:
1. Guarde as caixas originais. O valor de revenda de uma figure cai 30-40% se a caixa estiver amassada. Para colecionadores, a caixa é parte da peça.
2. Compre bubble wrap no Japão. Em Akihabara mesmo, a maioria das lojas vende. Algumas até oferecem gratuitamente para grandes compras. Se for ao Don Quijote (Donki), tem em qualquer filial.
3. Embale individualmente. Cada figure deve ter sua própria camada de bubble wrap. NÃO empilhe caixas juntas sem proteção entre elas.
4. Use roupas como amortecimento. Coloque as figures embrulhadas no MEIO da mala, com roupas formando um “ninho” ao redor. Isso protege contra impactos e prensa de outras malas em cima.
5. NUNCA despache figures caras na bagagem despachada. As bagagens são jogadas brutalmente. Coloque as caixas de maior valor na bagagem de mão.
6. Use uma mala de cabine de qualidade. Tem o tamanho certo para Shinkansen e cabine de avião. Para uma lista de itens essenciais, veja nosso planejador de viagem.
Estratégia: o que despachar e o que levar na mão
Aqui está o esquema que eu uso:
Bagagem de mão:
- Figures de alto valor (acima de R$300/cada)
- Figures sem caixa de fábrica robusta
- Limited editions e exclusive editions
- Nendoroids (caixas pequenas, fáceis de transportar)
Bagagem despachada:
- Figures de menor valor com caixa robusta
- Funkos (caixas reforçadas)
- Manga, livros e itens não frágeis
- Roupas e produtos de higiene
Atenção: lembre-se que companhias aéreas têm limite de peso na bagagem de mão (geralmente 7-10 kg). Se você comprou muito, vai precisar despachar parte.
O sistema tax-free e o desembaraço japonês
Quando você compra figures no Japão usando o tax-free (isenção de imposto japonês de 10%), tem alguns detalhes importantes:
Antes de novembro de 2026 (sistema antigo): você assina um documento na loja, paga sem o imposto, e os produtos vão em uma sacola lacrada. Não pode abrir a sacola até sair do Japão. As figures viajam fechadas.
Depois de novembro de 2026 (sistema novo): paga o valor cheio, faz o reembolso no aeroporto. Pode abrir e usar normalmente. Mais cômodo, mas precisa fazer o reembolso antes de embarcar.
Confira nosso post completo sobre as mudanças no tax-free do Japão.
Como declarar na alfândega brasileira

Quando você desembarca no Brasil, encontra dois canais na alfândega:
Canal Verde — “Nada a Declarar” Use esse se suas compras totais (incluindo figures) somam menos de US$ 1.000. Você passa direto, sem fila e sem pagar nada. A bagagem PODE ser revistada por amostragem.
Canal Vermelho — “Bens a Declarar” Use esse se passou de US$ 1.000 OU se está trazendo itens que precisam de declaração específica. Você paga o imposto de 50% sobre o excesso.
Se você tentar passar pelo verde com mais de US$ 1.000 e for fiscalizado: paga o imposto + multa. Pode ser pesado. Não vale a pena.
A Declaração Eletrônica de Bens (e-DBV)
Se você passou do limite, pode preencher o e-DBV antes de chegar ao aeroporto, online. Isso agiliza muito e evita filas longas.
Passo a passo:
- Acesse o site da Receita Federal (busque por “e-DBV viajante”)
- Faça login com sua conta gov.br
- Preencha os dados da viagem: meio de transporte, país de origem, número do voo, etc.
- Liste os itens que está trazendo (com valores em dólares)
- O sistema calcula o imposto devido
- Você gera um DARF (boleto) e pode pagar imediatamente
- No aeroporto, vai direto para o Canal Vermelho com o DARF pago só apresenta e libera
Dica: preencher o e-DBV em casa, com calma e com todas as notas em mãos, é muito melhor do que tentar fazer no aeroporto cansado depois de 24h de voo.
Erros comuns que custam caro
1. “Vou esconder na mala” PÉSSIMA ideia. A Receita Federal usa raio-X em todas as bagagens. Se encontrarem itens não declarados acima da cota, você paga o imposto + multa de 50% sobre o valor total (não só o excesso). E pode ter problemas com viagens futuras.
2. “Vou pedir pra família trazer separado” Cota é individual. Cada pessoa tem seus US$ 1.000. Mas a Receita avalia se as compras parecem destinação comercial. Se 4 pessoas voltam com 50 figures iguais, isso vai ser questionado.
3. “Vou abrir as caixas e usar” Isso reduz o valor declarável (figures usadas valem menos), mas pode prejudicar o valor de revenda no futuro. Avalie o trade-off.
4. “Vou tirar das caixas e jogar na mala” Erro grave. Sem caixas:
- Figures perdem 50-70% do valor de mercado
- Aumenta risco de quebra
- Suspeita de comércio (sem caixa = “uso pessoal”)
5. “Vou falar que ganhei de presente” A Receita pede notas. Se não tiver, eles estimam o valor de mercado. Não compensa mentir apenas atrasa o processo.
6. “Vou enviar pelos correios depois” Cuidado: encomendas internacionais têm regras DIFERENTES de bagagem de viajante. A taxa de importação para correios é de 60% (mais cara que os 50% da bagagem) e o limite de isenção é só US$ 50 para presentes. Quase nunca vale a pena.
Quanto vale a pena trazer? Estratégias
Aqui vai uma estratégia inteligente para quem quer trazer várias figures:
Para até US$ 1.000: Compre tudo livremente, declare honestamente, passe pelo Canal Verde, sem dor de cabeça.
Entre US$ 1.000 e US$ 2.000: Avalie se vale a pena pagar o imposto. Por exemplo:
- Compras de US$ 1.500 → US$ 250 de imposto = R$ 1.250
- Compras de US$ 1.800 → US$ 400 de imposto = R$ 2.000
- Para muitas figures, ainda compensa porque os preços no Japão são MUITO menores que no Brasil
Acima de US$ 2.000: Comece a pesar bem. A 50% de imposto, cada US$ 500 a mais custa US$ 250 (R$ 1.250). Para itens que você acharia online por preço similar, deixa de fazer sentido.
Dica: se você só vai uma vez ao Japão na vida, vai além da cota e paga. Vale a experiência. Se você viaja com frequência, divida as compras entre viagens.
Itens proibidos ou restritos

A maioria das figures pode entrar no Brasil sem problemas. Mas tem algumas coisas para ficar de olho:
Restrito (precisa declaração específica):
- Plantas, sementes, alimentos de origem animal/vegetal (NADA disso pode estar junto das figures)
- Réplicas de armas que pareçam reais demais
- Itens com baterias de lítio (Vigilância)
Proibido:
- Produtos pirateados (CUIDADO com bootlegs)
- Pornografia infantil (figures adultas explícitas com aparência de menores)
- Drogas e medicamentos sem receita
Atenção especial: BOOTLEGS
Bootlegs (cópias ilegais de figures originais) são tecnicamente produtos pirateados. Se identificados pela alfândega:
- São apreendidos
- Você pode pagar multa
- Pode ter problemas com viagens futuras
Como evitar trazer bootleg sem saber? Use o Buscador de Figures com IA ele detecta diferenças entre original e bootleg e te avisa antes de comprar.
🛒 Acessar o Buscador de Figures →
Cuidados especiais com itens grandes
Algumas figures são grandes demais para a bagagem de cabine e até para malas pequenas. Se você comprou:
Scale figures 1/4 ou 1/5 (acima de 40cm): Vão precisar de uma mala dedicada. Considere comprar uma mala extra no Japão (Don Quijote tem opções baratas).
Statues de resina muito frágeis: Algumas lojas oferecem serviço de envio internacional que pode ser MAIS confiável que levar na mala (mas mais caro). Pondere o risco.
Caixas gigantes (Bandai Premium, etc): Algumas são impossíveis de levar de avião por dimensões. Verifique o limite de tamanho da sua companhia aérea.
Macetes finais
1. Faça uma “lista de compras” antes de viajar. Com o Buscador de Figures, pesquise os preços antes de ir. Você sabe se está pagando barato ou caro.
2. Compre os itens grandes ÚLTIMO. Se você compra a scale figure de 50cm logo no início da viagem, ela vai junto pelo Japão inteiro. Compre na última cidade antes de voltar.
3. Negocie no Mandarake e Surugaya. Em lojas de usados, os preços às vezes são negociáveis, principalmente em pacotes (3+ itens).
4. Compre uma mala extra se precisar. No Japão, malas baratas mas funcionais custam ¥3.000-5.000 (R$100-170) na Don Quijote. Compensa se você comprou muita coisa.
5. Tire fotos de tudo antes de embarcar. Com as caixas e notas. Se algo quebrar ou ficar danificado, você tem evidência para reclamar com a companhia aérea.
6. Mantenha as notas fiscais até chegar em casa. Mesmo depois de passar pela alfândega se algum item for danificado e você precisar acionar seguro de viagem, vai precisar.
Combine com outras dicas para o Japão
Se você está planejando ir ao Japão para essa shopping de figures, aproveite e veja nossos outros guias:
- Guia Definitivo de Viagem ao Japão 2026 — tudo para planejar a viagem
- Onde Comprar Figures no Japão — Akihabara, Nakano e mais
- Tax-Free no Japão Mudou em 2026 — entenda o novo sistema
- Cafés e Restaurantes Temáticos de Anime em Tóquio — para descansar entre as compras
Seguindo esse guia, você volta com sua coleção intacta e sem problemas. Boas compras! 🎌
Atualizado em maio de 2026. Regras conforme Receita Federal do Brasil. Valores e cotas sujeitos a alterações — consulte o site oficial antes de viajar.











































































































































