Cartão de embarque em aeroporto japonês representando a nova taxa de saída do Japão em 2026

Japão Triplica Taxa de Embarque em 2026: O Que Muda para Brasileiros

Se você está planejando sua viagem ao Japão, fique atento: a partir de julho de 2026, o país vai triplicar a taxa de embarque cobrada de todos os viajantes internacionais. O valor passa de ¥1.000 (cerca de R$34) para ¥3.000 (aproximadamente R$102) por pessoa. Parece pouco? Para uma família de quatro, são mais R$400 no orçamento da viagem.

Neste artigo, explicamos o que é essa taxa, por que o Japão decidiu aumentá-la, e o que mais está mudando nos custos para turistas em 2026.

O que é a taxa de embarque do Japão


Terminal de embarque do aeroporto de Narita no Japão onde será cobrada a nova taxa de saída

A taxa de embarque, oficialmente chamada de Imposto Turístico Internacional (Kokusai Kanko Ryokyaku Zei), foi criada em janeiro de 2019. Ela é cobrada automaticamente de todos os viajantes estrangeiros e japoneses com dois anos de idade ou mais que deixam o Japão por avião ou navio.

O valor é embutido diretamente no preço da passagem aérea ou do ferry, então você nem percebe que está pagando. Até agora, o custo era de ¥1.000 (cerca de R$34). A partir de julho de 2026, passa para ¥3.000 (aproximadamente R$102).

Quem está isento: crianças menores de 2 anos, tripulantes de aeronaves e passageiros em trânsito que saem do Japão em até 24 horas após a chegada.

Por que o Japão está triplicando a taxa


Turistas em fila nos torii vermelhos de Fushimi Inari em Kyoto, exemplo do overtourism no Japão

O motivo é simples: overtourism. O Japão recebeu mais de 35 milhões de turistas estrangeiros nos primeiros 10 meses de 2025, um recorde histórico. A combinação de iene desvalorizado (que torna o país mais barato para estrangeiros) e o boom de viagens pós-pandemia gerou uma pressão enorme sobre infraestrutura, transporte e comunidades locais.

O governo planeja usar a receita adicional estimada em ¥130 bilhões por ano fiscal para financiar projetos de turismo sustentável, melhorar a infraestrutura em destinos populares, combater o congestionamento em locais como Monte Fuji e Quioto, e lidar com problemas de gestão de resíduos e comportamento inadequado de turistas.

É uma abordagem que outros países já adotaram. A Europa, por exemplo, está implementando o ETIAS (taxa de €7 para entrar no Espaço Schengen), e locais como Veneza e Barcelona já cobram taxas turísticas extras. O Japão se junta a essa tendência global. Se você quer saber mais sobre as mudanças na Europa, confira nosso artigo sobre o fim do carimbo no passaporte e o novo sistema EES.

O que mais está ficando mais caro no Japão em 2026

A taxa de embarque não é a única mudança. Outros custos estão subindo para turistas:

Nova taxa de hospedagem em Quioto

Quioto implementou um novo sistema escalonado de taxa de hospedagem em 2026. Hotéis de luxo (acima de ¥50.000 por noite) terão uma taxa de até ¥10.000 por noite, por pessoa. Hotéis de gama média terão taxa entre ¥1.000 e ¥4.000 por noite. Hospedagens econômicas (abaixo de ¥6.000 por noite) pagam a taxa mínima de ¥200 por noite.

Na prática, se você se hospedar em um hotel econômico em Quioto por 3 noites, serão ¥600 extras (cerca de R$20). Para hotéis de luxo, o impacto é muito mais significativo.

Aumento nas taxas de visto

Viajantes de países que precisam de visto para o Japão (como China e partes do Sudeste Asiático) terão taxas de visto significativamente mais altas. Brasileiros com passaporte biométrico (emitido a partir de 2011) continuam isentos de visto para estadias de até 90 dias, então essa mudança específica não nos afeta diretamente.

JESTA: a nova autorização eletrônica (futuro)


Tela de celular com formulário de autorização digital de viagem para o Japão

O Japão está desenvolvendo o JESTA (Japan Electronic System for Travel Authorization), um sistema semelhante ao ESTA americano e ao ETIAS europeu. Quando implementado (previsto para 2028), viajantes de países isentos de visto incluindo brasileiros terão que solicitar uma autorização eletrônica antes de embarcar, com taxa estimada de ¥3.000.

Mas atenção: o JESTA ainda não está em vigor. Em 2026, brasileiros com passaporte biométrico continuam entrando no Japão sem visto e sem autorização prévia. Apenas a taxa de embarque aumenta.

Quanto vai custar a mais para brasileiros

Para colocar em perspectiva, veja quanto a taxa de embarque adiciona ao custo total da viagem:

Para um viajante solo, a diferença é de ¥2.000 a mais (de ¥1.000 para ¥3.000), o que equivale a cerca de R$68 extras. Para um casal, são R$136 a mais. Para uma família de quatro, R$272 extras.

No grande contexto de uma viagem ao Japão (que custa em média R$15.000 a R$25.000 por pessoa), o aumento é relativamente pequeno. Mas somado às novas taxas de hospedagem em Quioto e aos preços já elevados de alta temporada, cada real conta.

Para ter uma visão completa dos custos, confira nosso guia detalhado de quanto custa viajar para o Japão em 2026.

Como economizar mesmo com os aumentos


Tigela de ramen em restaurante econômico de Tóquio, opção para economizar na viagem ao Japão

O aumento das taxas não precisa estragar seu orçamento. Aqui vão algumas estratégias:

Compre a passagem antes de julho de 2026. Se você já sabe que vai ao Japão no segundo semestre, tente emitir o bilhete antes da data de implementação da nova taxa. A maioria das companhias aplica a taxa vigente no momento da emissão.

Evite Quioto na alta temporada. As novas taxas de hospedagem pesam mais em hotéis de médio e alto padrão. Se puder, visite Quioto na baixa temporada (janeiro-fevereiro ou junho) quando os preços de hotel já são menores.

Considere hostels e guesthouses. A taxa mínima de hospedagem em Quioto (¥200/noite) se aplica a acomodações econômicas. Ficar em hostel reduz tanto o preço do quarto quanto a taxa turística.

Coma como local. Restaurantes de ramen, gyudon (carne com arroz) e konbinis (lojas de conveniência) servem refeições completas por ¥500 a ¥1.000. Isso não muda com as novas taxas. Temos um artigo completo sobre 8 dicas para economizar no Japão e também sobre os cafés e restaurantes temáticos de anime em Tóquio.

Use contas internacionais para câmbio. Wise e Nomad oferecem câmbio comercial, que é mais barato que casas de câmbio tradicionais. Cada centavo economizado no câmbio compensa parte das novas taxas. Veja nosso guia de como economizar em viagens internacionais.

Resumo: o que muda e quando

Para facilitar, aqui está tudo que está mudando nos custos de turismo no Japão em 2026:

A taxa de embarque passa de ¥1.000 para ¥3.000 por pessoa a partir de julho de 2026, cobrada automaticamente na passagem. A taxa de hospedagem em Quioto já está em vigor desde março de 2026, com valores escalonados de ¥200 a ¥10.000 por noite dependendo do hotel. As taxas de visto aumentam para viajantes que precisam de visto (brasileiros com passaporte biométrico continuam isentos). O JESTA (autorização eletrônica) está previsto para 2028, então não afeta viagens em 2026.

Vale a pena ir ao Japão em 2026?


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Templo japonês com cerejeiras em flor, destino que vale a visita mesmo com as novas taxas de turismo

Com certeza. Mesmo com o aumento das taxas, o Japão continua sendo um dos destinos com melhor custo-benefício da Ásia para brasileiros. A isenção de visto economiza centenas de reais, o transporte público é impecável, a comida é acessível e a segurança é incomparável.

A taxa de embarque adicional de R$68 por pessoa é um custo marginal diante de tudo que o Japão oferece. O mais importante é planejar com antecedência, monitorar o câmbio e usar as estratégias certas para economizar nos gastos do dia a dia.

Se está pensando em ir, não adie. As tendências indicam que os custos só tendem a subir conforme o Japão implementa mais medidas contra o overtourism. Quem for em 2026 ainda pega preços melhores do que quem esperar para 2027 ou 2028 (quando o JESTA pode acrescentar mais uma taxa ao orçamento).

Para começar a planejar, confira nosso guia completo de etiqueta no Japão e não esqueça de escolher um bom chip de internet para a viagem.


Fontes: Travel and Tour World, Portal Mie, Tokyo Weekender, TravelMagg. Atualizado em abril de 2026.

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